Brasília - A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) deve votar
quarta-feira (9) o projeto de lei que obriga o pagamento de
seguro-desemprego às empregadas domésticas por, no máximo, três meses.
Para ter direito ao benefício, a doméstica deve ter trabalhado por um
período mínimo de 15 meses nos últimos 24 meses contados da dispensa sem
justa causa.
A matéria, terminativa na comissão, não foi votada na semana passada
pela ausência de apenas um parlamentar para atingir o número mínimo de
presenças necessárias à apreciação de projetos que, votados na comissão
específica para tratar do tema, não necessitem ir a plenário.
A relatora da matéria, Lídice da Mata (PSB-BA), destacou que
atualmente "apenas 6% dos empregados domésticos têm direito ao
seguro-desemprego". O projeto de lei vai, agora, para a apreciação da
Câmara dos Deputados.
Pela proposta, as domésticas terão direito ao seguro-desemprego
independentemente de estarem inscritas no Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS). No parecer, Lídice da Mata lembrou que o FGTS não guarda
qualquer relação com o seguro-desemprego. Segundo ela, enquanto o fundo
tem por objetivo realizar uma poupança ao trabalhador e financiar
projetos de habitação popular, saneamento e infraestrutura, o
seguro-desemprego é uma renda de emergência.
A regra atual prevê que a concessão do seguro-desemprego ao
empregado doméstico está vinculada diretamente ao recolhimento do FGTS
pelo empregador. A relatora explicou que não existe qualquer problema de
ordem "jurídico-constitucional" para a concessão do seguro-desemprego a
todos os empregados domésticos formais, ainda que não haja a respectiva
contribuição para o FGTS ou para o PIS-Pasep.
Ela disse que isso já ocorre com o pescador profissional que exerce
atividade de forma artesanal, individualmente ou em regime de economia
familiar. "Nada mais justo, portanto, que se estenda a todos os
empregados domésticos o benefício do seguro-desemprego por um período
máximo de três meses de forma isonômica, independentemente da
contribuição do empregador ao Fundo de Garantia".
Por Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
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