
A propósito da nota publicada pelo site do ex-secretário de
Comunicação Social do governo Fernando Henrique Cardoso, senhor Eduardo
Piragibe Graeff, na qual a senhora Verônica Allende Serra, filha do
ex-governador José Serra, defende-se de acusações contidas no livro A
Privataria Tucana, dou a conhecer a carreira meteórica dessa senhora que
entre os 25 e os 30 anos se tornou um fenômeno do mundo dos negócios ao
ganhar milhões em período tão curto.
Em 1995, aos 25 anos, Verônica ganhou uma bolsa de estudos para um curso
de MBA (Mestre em Administração de Negócios) na Universidade de
Harvard, nos Estados Unidos. O benfeitor da filha do então poderoso
ministro do Planejamento foi a Fundação Educar, criada por Jorge Paulo
Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, à época donos do Grupo Garantia –
que participaria ativamente do processo de privatizações do governo ao
que o pai de Verônica servia – e da cervejaria Brahma, que, em 1998, em
processo polêmico que dependia do Cade, ligado à área de influência do
pai-ministro, compraria a cervejaria Antarctica e, assim, formaria a
AmBev, que finalmente se uniria a uma cervejaria belga e formaria a
InBev, hoje a maior cervejaria do mundo.
Verônica concluiria o curso em Harvard em 1997 e já em 1998 conseguiria
seu primeiro trabalho no mundo corporativo, na companhia de
administração de recursos chamada Leucadia. Meses depois, seria
recrutada pelo fundo de investimentos International Real Returns (IRR)
para, segundo ela, atuar como sua representante no Brasil. Em 2000,
tornar-se-ia “diretora” da “Decidir.com, Inc.”, fundada naquele ano, uma
empresa “ponto.com” norte-americana, subsidiária da matriz argentina
“Decidir”, de busca e verificação de dados cadastrais e crédito.
A empresa ganhou notoriedade no Brasil por ter tido como membros da
diretoria tanto Verônica Dantas Rodemburg, irmã de Daniel Dantas, dono
do CVC Opportunity, como Verônica Allende Serra, filha do agora (em
2000) ministro da Saúde José Serra. O site oferecia consultas diversas,
inclusive de pesquisas de editais públicos de licitações no Brasil.
“Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se
tornar um fornecedor do Estado”, dizia a propaganda da empresa.
Verônica Serra, advogada formada na Faculdade de Direito da USP em 1995,
com mestrado (MBA) na Universidade Harvard concluído em 1997, em 2000
tornou-se “representante de investimentos” de uma empresa multinacional
tão logo foi fundada e se retirou dessa empresa um ano depois, após
estouro da bolha da internet em 2001.
Em cinco anos, esse prodígio – tão impressionante quando a filha do
governador Geraldo Alckmin, que também faria carreira meteórica, só que
na boutique de luxo Daslu – pulou de um empreguinho na Editora Abril e
de um singelo curso de Direito na USP para o epicentro dos grandes
negócios corporativos, alegadamente por ter passado pela abençoada
Universidade de Harvard, que, agora se sabe, basta cursar para ficar
rico em poucos anos.
A diretoria executiva da Decidir.com, Inc. era composta por um
representante do Citibank, por Verônica Valente Dantas Rodemburg
(representando o fundo CVC Opportunity), por um representante da Decidir
Argentina e por Verônica Allende Serra (representando o fundo
International Real Returns – IRR).
Com o estouro da bolha da internet em maio de 2001, os fundos de
investimentos Citibank, CVC Opportunity e IRR se retiraram do negócio
engendrado pela genial Verônica Allende Serra, ficando a Decidir.com
apenas com as operações na Argentina e no Brasil. Atualmente, apenas a
matriz (Decidir.com, que atua na Argentina) está em operação. Sua
proposta de negócios usa o seguinte bordão: “Com nossos serviços você
poderá concretizar negócios seguros, evitando riscos desnecessários”.
Nota de Verônica Serra à imprensa
“Nos últimos dias, têm sido publicadas e republicadas, na imprensa
escrita e eletrônica, insinuações e acusações totalmente falsas a meu
respeito. São notícias plantadas desde 2002 — ano em que meu pai foi
candidato a presidente pela primeira vez — e repetidas em todas as
campanhas posteriores, não obstantes os esclarecimentos prestados a cada
oportunidade. Basta lembrar que, em 2010, fui vítima de quebra ilegal
de sigilo fiscal, tendo seus autores sido indiciados pela Polícia
Federal. E, agora, uma organizada e fartamente financiada rede de
difamação dedicou-se a propalar infâmias intensamente através de um
livro e pela internet. Para atingir meu pai, buscam atacar a sua família
com mentiras e torpezas.
1. Quais são os fatos?
- Nunca estive envolvida nem remotamente com qualquer tipo de movimentação ilegal de recursos.
- Nunca fui ré em processo nem indiciada pela Polícia Federal; fui, isto sim, vítima dos crimes de pessoas hoje indiciadas.
- Jamais intermediei nenhum negócio entre empresa privada e setor público no Brasil ou em qualquer parte do mundo.
- Não fui sócia de Verônica Dantas, apenas integramos o mesmo conselho de administração.
Faço uma breve reconstituição desses fatos, comprováveis por farta documentação.
2. No período entre Setembro de 1998 e Março de 2001, trabalhei em um
fundo chamado International Real Returns (IRR) e atuava como sua
representante no Brasil. Minha atuação no IRR restringia-se à de
representante do Fundo em seus investimentos. Em nenhum momento fui sua
sócia ou acionista. Há provas.
3. Esse fundo, de forma absolutamente regular e dentro de seu escopo de
atuação, realizou um investimento na empresa de tecnologia Decidir. Como
conseqüência desse investimento, o IRR passou a deter uma participação
minoritária na empresa.
4. A Decidir era uma empresa “ponto.com”, provedora de três serviços:
(I) checagem de crédito; (II) verificação de identidade e (III)
processamento de assinaturas eletrônicas. A empresa foi fundada na
Argentina, tinha sede em Buenos Aires, onde, aliás, se encontrava sua
área de desenvolvimento e tecnologia. No fim da década de 90, passou a
operar no Brasil, no Chile e no México, criando também uma subsidiária
em Miami, com a intenção de operar no mercado norte-americano.
5. Era uma empresa real, com funcionários, faturamento, clientes e
potencial de expansão. Ao contrário do que afirmam detratores levianos,
sem provar nada, a Decidir não era uma empresa de fachada para operar
negócios escusos. Todas e quaisquer transações relacionadas aos aportes
de investimento eram registradas nos órgãos competentes.
6. Em conseqüência do investimento feito pelo IRR na Decidir, passei a
integrar o seu Conselho de Administração (ou, na língua inglesa, “Board
of Directors”), representando o fundo para o qual trabalhava.
7. À época do primeiro investimento feito pelo IRR na Decidir, o fundo
de investimento Citibank Venture Capital (CVC) – administrado, no âmbito
da América Latina, desde Nova Iorque – liderou a operação.
8. Como o CVC tinha uma parceria com o Opportunity para realizar
investimentos no Brasil, convidou-o a co-investir na Decidir, cedendo
uma parte menor de seu aporte. Na mesma operação de capitalização da
Decidir, investiram grandes e experientes fundos internacionais, dentre
os quais se destacaram o HSBC, GE Capital e Cima Investments.
9. Nessa época, da mesma forma como eu fui indicada para representar o
IRR no Conselho de Administração da Decidir, a Sra. Veronica Dantas foi
indicada para participar desse mesmo conselho pelo Fundo Opportunity.
Éramos duas conselheiras (e não sócias), representando fundos distintos,
sem relação entre si anterior ou posterior a esta posição no conselho
da empresa.
10. O fato acima, no entanto, serviu de pretexto para a afirmação (feita
pela primeira vez em 2002) de que eu fui sócia de Verônica Dantas e,
numa ilação maldosa, de que estive ligada às atividades do empresário
Daniel Dantas no processo de privatização do setor de telecomunicações
no Brasil. Em 1998, quando houve a privatização, eu morava há quatro
anos nos Estados Unidos, onde estudei em Harvard e trabalhei em Nova
York numa empresa americana que não tinha nenhum negócio no Brasil,
muito menos com a privatização.
11. Participar de um mesmo Conselho de Administração, representando
terceiros, o que é comum no mundo dos negócios, não caracteriza
sociedade. Não fundamos empresa juntas, nem chegamos a nos conhecer,
pois o Opportunity destacava um de seus funcionários para acompanhar as
reuniões do conselho da Decidir, realizadas sempre em Buenos Aires.
12. Outra mentira grotesca sustenta que fui indiciada pela Polícia
Federal em processo que investiga eventuais quebras de sigilo. Não fui
ré nem indiciada. Nunca fui ouvida, como pode comprovar a própria
Polícia Federal. Certidão sobre tal processo, da Terceira Vara Criminal
de São Paulo, de 23/12/2011, atesta que “Verônica Serra não prestou
declarações em sede policial, não foi indiciada nos referidos autos,
tampouco houve oferecimento de denúncia em relação à mesma.”
13. Minhas ligações com a Decidir terminaram formalmente em Julho de
2001, pouco após deixar o IRR, fundo para o qual trabalhava. Isso
ressalta a profunda má fé das alegações de um envolvimento meu com
operações financeiras da Decidir realizadas em 2006. Essas operações de
2006 – cinco anos após minha saída da empresa – são mostradas num
fac-símile publicado pelos detratores, como se eu ainda estivesse na
empresa. Não foi mostrado (pois não existe) nenhum documento que
comprove qualquer participação minha naquelas operações. Os que
pretendem atacar minha honra confiam em que seus eventuais leitores não
examinem fac-símiles que publicam, nem confiram datas e verifiquem que
nomes são citados.
14. Mentem, também, ao insinuar que eu intermediei negócios da Decidir
com governos no Brasil. Enquanto eu estive na Decidir, a empresa jamais
participou de nenhuma licitação.
Encerro destacando que posso comprovar cada uma das afirmações que faço
aqui. Já os caluniadores e difamadores não podem provar uma só de suas
acusações e vão responder por isso na justiça. Resta-me confiar na
Polícia e na Justiça do meu país, para que os mercadores da reputação
alheia não fiquem impunes.”
Por Eduardo Guimarães, Blog Cidadania
Terça-feira, 27 de dezembro de 2011