Brasília – A partir de agora, os aviões apreendidos pela polícia em
operações contra o tráfico de drogas ficarão à disposição do Poder
Judiciário. A adesão da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
(Senad) ao Programa Espaço Livre – Aeroportos, da Corregedoria Nacional
de Justiça, vai agilizar a doação das aeronaves apreendidas.
Antes, a Senad era intimada pela Justiça para definir a destinação dos
bens apreendidos em todo o país. Agora, a secretaria será apenas
comunicada da doação da aeronave e terá um prazo para se manifestar
contrariamente à destinação. Se isso não ocorrer, a destinação é
considerada aprovada.
Os aviões apreendidos serão periciados pela Polícia Federal e
destinados para uso compartilhado, no ômbito dos estados, pelo Tribunal
Regional Eleitoral, Tribunal de Justiça, Tribunal do Trabalho e Tribunal
Federal. De acordo com o presidente da comissão executiva do Programa
Espaço Livre, juiz Marlos Melek, esses quatro tribunais farão convênios
com as secretarias de Segurança Pública estaduais e outros órgãos de
governo. O custo da manutenção das aeronaves também será dividido.
Desde o início do programa, duas aeronaves já foram doadas ao Poder
Judiciário dos estados do Amazonas e de Mato Grosso. Atualmente, a
Corregeria Nacional de Justiça tem 14 aviões e helicópteros para serem
destinados ao Poder Judiciário. “Aumentamos a velocidade do processo e
isso é sinônimo de evitar que aviões que custam mais de R$ 1 milhão
virem sucata; o que mais temos no Brasil é sucata”, disse Melek.
Segundo a secretária nacional de Políticas sobre Drogas, Paulina
Duarte, a Senad administra o Fundo Nacional Antidrogas, que é alimentado
com a venda dos bens apreendidos do narcotráfico. “Esse convênio vai
facilitar [os processos], fazendo com que juízes e varas judiciárias
possam disponibilizar as aeronaves que se encontram nos aeroportos do
país e são oriundas do narcotráfico”.
Além da Senad, a Fundação Nacional do Índio (Funai) também firmou
convênio com a Corregedoria Nacional de Justiça para integrar o
programa. De acordo com o juiz Marlos Melek, um levantamento feito em
aeroportos brasileiros revelou que, das cerca de 250 aeronaves paradas,
cinco pertencem à Funai. O presidente do órgão, Márcio Meira, disse que
esses aviões também a serão compartilhados com outros órgãos. As cinco
aeronaves estão em hangares do Aeroporto Internacional de Brasília.
“Essas aeronaves vão estar posicionadas em pontos estratégicos da
Amazônia Legal, ou seja, Belém, Macapá, Boa Vista, Rio Branco e Cuiabá.
Elas poderão prestar o serviço de acompanhamento da nossa política
indigenista, como também prestar serviços para o país em outras ações”.
Meira destacou ainda que os aviões vão melhorar a presença da Funai em
terras indígenas de fronteira. “Quando está posicionada em uma dessas
cidades, a aeronave terá muito mais rapidez para se locomover, se
posicionar na fronteira e colaborar na área da saúde, além de levar
servidores da Funai para fiscalização”.
Por Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil

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