Brasília - Um grupo de artistas ligados ao Movimento Humanos Direitos
entregou hoje (8) ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia
(PT-RS), abaixo-assinado em defesa da votação imediata da chamada PEC do
Trabalho Escravo, que tramita na Casa há mais de dez anos. A votação
pode ocorrer nesta tarde, mas os artistas demonstraram pessimismo em
relação à efetiva apreciação da matéria.
Após encontro com Marco Maia, o ator Osmar Prado disse que
parlamentares ligados à bancada ruralista estão atuando nos bastidores
para evitar a votação da PEC, sigla de proposta de emenda à
Constituição, iniciativa que, no processo legislativo, exige
procedimento de aprovação especial, inclusive quórum de votação mais
elevado que dos projetos legislativos comuns.
“Olha, promessa [de colocar a PEC em votação] é uma coisa complicada. Depois de [o filme] O Pagador de Promessa,
de Dias Gomes, desconfio de promessas. Estou aqui para ver. Ele [Marco
Maia] tem um certo limite de poder. Se o pessoal que é contra não
aparecer para votar e não tiver quórum, não tem votação. Temos que ver
como está o mecanismo de quem não quer a votação, se vamos ter quórum ou
se os caras, na medida em que se colocar a PEC [em votação], eles vão
sair fora”, argumentou o ator.
A PEC do Trabalho Escravo prevê, entre outras medidas, a expropriação
de propriedades rurais ou urbanas onde houver emprego de trabalho
similar ao escravo. Ainda conforme o texto, o proprietário não terá
direito a indenização e os bens apreendidos serão confiscados e
revertidos a um fundo cuja finalidade será definida em lei. A PEC foi aprovada em primeiro turno, em agosto de 2004, após a morte de três auditores fiscais do trabalho no município mineiro de Unaí, mas ainda exige um novo turno de votação.
“Não faltam indícios de que há trabalho escravo. A gente tem prova
fotografada, registrada e, infelizmente, vemos situações [que vão] desde
crianças sendo maltratadas a pessoas que recebem tiros como pagamento
pelo trabalho”, disse a atriz Letícia Sabatela, que também esteve no ato
de entrega do abaixo-assinado. “A gente está aqui de novo lutando
contra um poder que podemos chamar de paralelo aos interesses
democráticos do país”, pontuou.
Já a Frente Parlamentar da Agropecuária informou que os deputados da
bancada ruralista se posicionaram “unanimemente” contra PEC devido,
entre outros questionamentos, à falta de uma definição clara sobre o que
é trabalho escravo, pelo excesso de regras trabalhistas, o que pode
segundo a frente pode provocar insegurança jurídica, e também porque
entende que as leis em vigor já são suficientes para punir quem
patrocina o trabalho escravo.
Por Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
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