Brasília – O governo federal decidiu que a compra das 3,5 mil
escavadeiras e 1,5 mil motoniveladoras destinadas a 3.591 municípios com
até 50 mil habitantes será feita, na totalidade, com recursos do
Orçamento Geral da União (OGU). A previsão inicial – anunciada pela
ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, e pela
presidenta Dilma Rousseff no último dia 15 – era que, dos cerca de R$
1,8 bilhão previstos, R$ 900 milhões teriam como origem o OGU e R$ 990
milhões seriam obtidos por meio de financiamentos.
“A parceria do governo com os municípios é fundamental para o país
enfrentar os problemas das cidades brasileiras”, disse Miriam Belchior ontem (17) aos participantes da 15ª Marcha dos Prefeitos. “Por isso, a
entrega dessas máquinas inclui, também, treinamento de pessoal e três
anos de assistência técnica”, acrescentou a ministra.
Com as cerca de 5 mil máquinas, o governo federal pretende ajudar os
municípios a manter suas estradas vicinais – estradas secundárias que,
na maioria das vezes, são municipais e não dispõem de asfaltamento. A
ministra reiterou que o governo pretende valorizar a indústria
brasileira, condicionando o repasse de recursos à compra de máquinas com
60% de conteúdo nacional.
Para receber as retroescavadeiras e as motoniveladoras, os municípios precisam confirmar interesse no site www.mda.gov.br
entre os dias 15 junho e 15 agosto. "A análise será feita entre agosto e
outubro. Os resultados serão anunciados em 30 de novembro e as entregas
serão feitas a partir de janeiro”, informou Miriam Belchior.
Também presente no evento, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, convocou os prefeitos a fazerem “lobby positivo” pelos projetos que, consensualmente, são do interesse tanto das prefeituras como do governo federal.
“Temos muitas matérias tramitando [no Congresso Nacional] que são do
interesse comum das duas partes. É o caso da Resolução 72 [que
uniformizou a alíquota interestadual do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre produtos importados], da
institucionalização do Comitê de Assuntos Federativos (CAF), e do
comércio eletrônico”, exemplificou Ideli.
“Do jeito que está, o ICMS fica apenas em um estado, que é o estado
onde a empresa [fabricante do produto] está situada. Nós defendemos que
parte desse imposto vá para o estado que compra o produto”, disse a
ministra ao defender uma modificação da lei, para destinar 60% do ICMS
ao estado que compra o produto e 40% para o estado que vendê-lo. “Esse
tipo de comércio está crescendo exponencialmente, chegando a
quadruplicar em apenas um ano”, acrescentou.
A Confederação Nacional dos Municípíos informou que só apresentará a
posição sobre a parceria com o governo federal nesses projetos após uma
análise minuciosa de cada caso.
Apesar disso, Ideli demonstrou otimismo: "Tive a sensação, pelos
aplausos, de que todos entenderam a importância dessa parceria para
trabalharmos regras e para mudarmos os impostos".
Por Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
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